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quinta-feira, 14 de abril de 2011


Jamille Rabelo de Freitas


Ester Mirian Scarpa, no capítulo 7 da obra Introdução à lingüística: domínios e fronteiras, trata do fenômeno da aquisição da linguagem, bem como explora o percurso histórico e o embasamento teórico desse fenômeno dos estudos lingüísticos.

O capítulo é dividido em cinco tópicos e no primeiro deles, denominado A aquisição da linguagem: brevíssimo histórico e abrangência, a autora discorre acerca do histórico da aquisição da linguagem e expõe de que forma os estudos envolvendo tal tema deram origem ao conceito atual, de maneira a alcançar o status de teoria lingüística.



Desde o século XIX, alguns lingüistas, guiados tanto por interesse paterno, quanto por profissional, elaboraram diários da fala espontânea de seus filhos. [...] São trabalhos descritivos e mais ou menos intuitivos, que, ao contrário das pesquisas aquisicionais das últimas décadas, não se voltam à procura, nos dados das crianças, de evidência em prol de alguma teoria lingüística ou psicológica, embora se insiram nas teorias lingüísticas e psicológicas da época. (SCARPA, 2006, p.204)



De acordo com Scarpa, esses trabalhos revezavam-se entre longitudinais e transversais. Estes, versariam sobre a aquisição da linguagem, tomando por base um número relativamente grande de sujeitos, muitas vezes classificados por faixas etárias, por sua natureza experimental destinada à observações e análises de percepção, enquanto que aqueles, por sua natureza naturalística e conseqüente análise de produção, “acompanham o desenvolvimento da linguagem de uma criança ao longo do tempo”. Assim, a área lingüística estaria subdividida entre os estudos de: aquisição da língua materna, englobando também os desvios de aquisição; aquisição de segunda língua, sendo não necessariamente somente a aquisição de uma língua estrangeira; e aquisição da escrita, envolvendo o processo de alfabetização, letramento, etc.

O segundo tópico, intitulado Temas e abordagens teóricas sobre a aquisição da linguagem, trata das correntes teóricas utilizadas no decorrer do processo de sedimentação da aquisição da linguagem como teoria lingüística. A autora começa por abordar o behaviorismo, juntamente ao pensamento e as teorias Skinnerianas, que pregava a visão ambientalista de aprendizagem da linguagem no através do processo de estímulo-resposta, corrente dominante na época. De acordo com essa corrente:



A aprendizagem da linguagem seria fator de exposição ao meio e decorrente de mecanismos comportamentais como reforço, estímulo e resposta. Aprender a língua materna não seria diferente, em essência, da aquisição de outras habilidades e comportamentos, como andar de bicicleta, dançar, etc. já que se trata, ao longo do tempo, do acúmulo de comportamentos verbais. (Ibidem, p.206)



Em seguida Scarpa explana acerca da teoria do lingüista Noam Chomsky que pregava uma postura inatista. Para ele, a linguagem, específica da espécie, dotação genética e não um conjunto de comportamentos verbais, seria adquirida como resultado do desencadear de um dispositivo inato, inscrito na mente. É de Chomsky a noção de input e output e da gramática universal (GU).

Ao teorizar a língua como atividade mental, Chomsky afirma que a língua é uma capacidade inata do homem e, a partir disto, cria hipóteses sobre a natureza e o funcionamento da linguagem. De acordo com ele, o falante é dotado de competência lingüística, conceituada como a capacidade que todo falante ou ouvinte tem de compreender ou produzir todas as frases da língua, sendo essa competência inata, fazendo parte da natureza humana.

Sendo assim, se tomarmos com exemplo uma criança de que já domina as formas da língua, sem ter ouvido e aprendido todas as possibilidades e formas da língua à qual está inserida, teremos a idéia propulsora da condição inata da linguagem humana, que seria explicada baseando-se no fato de que essa aquisição é possível porque a criança já nasce com uma gramática interna, à qual a língua se adapta. Com isso, Chomsky chega ao conceito de Gramática Universal, que caracteriza a capacidade e habilidade lingüística do sujeito.

De acordo com o pensamento inatista de Chomsky, no processo de aquisição da linguagem, a criança estaria exposta à linguagem (input), que seria basicamente tudo aquilo que recebemos do externo. Acionado pelo dispositivo de aquisição da linguagem (DAL), a criança produziria o output, uma espécie de retorno, tudo aquilo que produzimos. Assim: (...) No processo de aquisição da linguagem, a criança é exposta a um input (conjunto de sentenças ouvidas no contexto), sendo o output um sistema de regras para a linguagem do adulto, a gramática de uma determinada língua 1. (SCARPA, 2006, p.209)

De acordo com a autora, com esses estudos e teorias, Chomsky abre margem para contestações e críticas e, conseqüentemente, para o surgimento de novas correntes teóricas, dentre elas o cognitivismo construtivista de Piaget, que prega que “a aquisição da linguagem depende do desenvolvimento da inteligência na criança e o modelo vigotskiano com a crença de que:



[...] O desenvolvimento da linguagem e do pensamento como tendo origem sociais, externas, nas trocas comunicativas entre a criança e o adulto. Tais estruturas construídas socialmente, “externamente”, sofreriam, com o tempo (...), um movimento de interiorização e de representação mental do que antes era social e externalizado.

(Ibidem, p.213)



A autora discorre ainda acerca do interacionismo social, vertente que contrasta “em graus variados” da teoria inatista de Chomsky e do cognitivismo de Piaget e Vygotsky. De acordo com ela, nessa corrente teórica são levados em consideração os fatores sociais, comunicativos e culturais no processo de aquisição da linguagem. Esse processo de interação social é que possibilitaria a comunicação e o conseqüente desenvolvimento lingüístico da criança.

No terceiro tópico do artigo, Scarpa aborda fatores relacionados à dificuldade de aquisição de uma segunda língua em idade adulta – processo por ela denominado Período Crítico. Elencando uma série de fatores pertinentes, a autora aponta de que forma tais fatores influenciam o processo de aquisição dessa segunda língua, ao tempo em que apresenta casos exemplificadores para justificativa dos argumentos expostos.



Entre dois e três anos de idade, a linguagem emerge através da interação entre maturação e aprendizado pré-programado. Entre os três anos de idade e a adolescência, a possibilidade de aquisição primária da linguagem continua a ser boa; o indivíduo parece ser mais sensível a estímulos durante este período (...) Depois da puberdade, a capacidade de auto-organização e ajuste às demandas psicológicas do comportamento verbal declinam rapidamente. O cérebro comporta-se como se tivesse se fixado daquela maneira e as habilidades primárias e básicas não adquiridas até então geralmente permanecem deficientes até o fim da vida (LENNENBERG apud SCARPA, 2006, p.220)



Já no quarto tópico, Scarpa explana acerca dos Estágios de Desenvolvimento da Linguagem, de natureza interacionista, e para tanto expõe os estágios de desenvolvimento lingüístico de uma criança em fase pré-escolar. No decorrer da explanação, a autora faz menção, analisa e também apresenta dados da interação verbal entre o adulto e a criança nessa fase de aquisição lingüística.

No último tópico, Scarpa conclui seu artigo afirmando que, embora ainda haja muita investigação a ser realizada,



Uma coisa é certa, porém: quando vai para a escola, a criança já percorreu um longo caminho elaborando sua linguagem, inserindo-se na língua de sua comunidade. Linguísticamente a criança não é tabula rasa. Ela é perfeitamente proficiente em sua língua materna e continua a aprender outras formas pertencentes a outras modalidades da fala/linguagem, dentro e fora da escola. Isto é, a operar com objetos lingüísticos. Assim, a escola vai lhe proporcionar o acesso a outras “gramáticas”, pertencentes à modalidades escritas (SCARPA, 2006, p.229)



SCARPA, Ester Mirian. Aquisição da linguagem. In: MUSSALIM, Fernanda e BENTES, Anna Christina. (orgs.) Introdução à lingüística: domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2006, v.2.


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